A AVALIAÇÃO FORMATIVA NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA, NO ENSINO MÉDIO, NA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL. Elaborado em 07. 2008.

4. O ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA E A AVALIAÇÃO

          As atuais orientações curriculares propõem uma reflexão sobre a função educacional do ensino de línguas estrangeiras, enfatizando a relevância da noção de cidadania, inclusão e novas tecnologias, focalizando a leitura, a prática escrita e a comunicação oral contextualizadas. Inferi-se a partir de uma concepção de práticas pedagógicas diferenciadas, que vão muito além do aspecto cognitivo e lingüístico, uma visão de educação para a vida, centrada no indivíduo em processo de emancipação, reformulando o pensamento humano de forma global, complexa, multidisciplinar, compreendendo-o em todas as suas dimensões, seu universo histórico e sócio-cultural, embasando-o para que ele seja agente construtor de sua própria história, capaz de refazer, modificar e transformar seu destino.
          O desenvolvimento da capacidade de reflexão, de imersão cultural em situações comunicativas possibilita uma postura crítica e consciente a partir de um processo de letramento que articula língua e cultura, permitindo segundo Almeida Filho (2007) a grande reconstrução do conhecimento e do auto-conhecimento no âmbito sócio-cultural de identificação histórica do ser aprendente que se dá conta de quem ele é, do que ele deve ou não fazer para a felicidade pessoal e o bem estar coletivo.
          O Ensino de língua estrangeira na Secretária de Educação do Distrito Federal numa abordagem comunicativa adota uma proposta de aprendizagem contextualizada com foco no educando em processo de formação, priorizando o conhecimento pertinente que contribua para o seu crescimento como cidadão. A comunicação é um eixo norteador de uma relação dialógica e sócio-interativa que busca na reflexão uma ação verdadeiramente transformadora.
          Adentrar na diversidade cultural através da língua estrangeira permite desenvolver uma compreensão histórica universal crítica que alimenta a aptidão de globalizar, estabelecendo os elos entre a unidade e a diversidade, como diria Edgar Morin ilustrando “o destino multifacetado do humano, o destino individual, social, histórico, todos entrelaçados e inseparáveis, proporcionando uma tomada de consciência e da muito rica e necessária diversidade dos indivíduos, dos povos, das culturas, sobre nosso enraizamento como cidadãos da terra.”
          A avaliação formativa numa abordagem comunicativa prioriza as competências sociolingüísticas e socioculturais, levando em conta a capacidade de interagir e de apropriar-se de conhecimentos contextualizados.


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS


          Assim a avaliação formativa em língua estrangeira a partir da concepção de ensino médio explicitada nos Parâmetros Curriculares Nacionais deve originar-se de uma pedagogia que busque:

Aprender a aprender e a pensar, a relacionar o conhecimento com dados da experiência cotidiana, a dar significado ao aprendido e a captar o significado do mundo, a fazer a ponte entre teoria e prática, a fundamentar a crítica, a argumentar com base em fatos, a lidar com o sentimento que a aprendizagem desperta. (Parâmetros Curriculares Nacionais, 1999, p. 87)

           Propõe ainda ressignificar os conteúdos curriculares; trabalhar a linguagem e a comunicação, como um processo de letramento, relacionado culturas e valores sociais; adotar estratégias de ensino diversificadas que desenvolvam competências lingüísticas superiores, favorecendo à interação e à construção coletiva, atividades como a pesquisa, a experimentação e os projetos interdisciplinares, aliadas às novas tecnologias.
          A Avaliação formativa foi assumida como pressuposto orientador de todo o processo avaliativo da rede pública da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Diante de problemas como evasão, reprovação e baixo rendimento, a prática avaliativa formativa está sendo resgatada como mecanismo promotor de uma educação contemporânea do cidadão para a vida. “Diante desse quadro, necessário se faz repensar o conceito de avaliação como sinônimo de classificar, selecionar e julgar a aquisição do conhecimento e habilidades.” (2006, p. 07)
          Uma avaliação para a “revolução” suscita profundas mudanças no processo de ensino-aprendizagem, como diria Morin (2007, p.64):

O que agrava a dificuldade de conhecer nosso Mundo é o modo de pensar que atrofiou em nós, em vez de desenvolver, a aptidão de contextualizar e de globalizar, uma vez que a exigência da era planetária é pensar sua globalidade, a relação todo-partes, sua mutidimensionalidade, sua complexidade – o que nos remete à reforma do pensamento, necessária para conceber o contexto, o global, o multidimensional, o complexo.

 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BALLESTER, Margarita. Et al. Avaliação como apóio à aprendizagem. Porto Alegre: Artmed. 2003.

HOFFMANN, Jussara. Mito e desafio, uma perspectiva construtivista. 36ª ed. Porto Alegre: Mediação, 2006.

HOFFMANN, Jussara. Avaliação mediadora. 25ª ed. Porto Alegre: Mediação, 2006.

HOFFMANN, Jussara. Pontos e contrapontos do pensar ao agir em avaliação. 9ª ed. Porto Alegre: Mediação, 2005.

PERRENOUD, Philippe. Avaliação da excelência à regulação das aprendizagens, entre duas lógicas. Porto Alegre: Artmed, 1999.

SAUL, Ana Maria. Avaliação emancipatória: desafio à teoria e prática de avaliação e reformulação de currículo. São Paulo: Cortez, 1988.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez, 2006.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 12ª ed. São Paulo: Cortez, 2007.

BRASIL, Lei n. 9394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Poder Executivo, Brasília, DF, 20 dez. 1996. Disponível em http://www.planalto.gov.br/legislação. Acessado em 02 de agosto. 2008.

DISTRITO FEDERAL (BRASIL). Secretaria de Estado de Educação. Currículo da Educação Básica das Escolas Públicas do Distrito Federal: Ensino médio. 2ª. ed. 2002.

DISTRITO FEDERAL (BRASIL). Secretaria de Estado de Educação. Diretrizes para Avaliação da Aprendizagem. 2ª. ed. 2006.

ALMEIDA FILHO, José Carlos Paes de. Lingüística Aplicada-ensino de línguas e comunicação. 2ª ed. Campinas, SP: Pontes Editores e Artelíngua, 2007.

ALMEIDA FILHO, José Carlos Paes de. Dimensões comunicativas no ensino de línguas. 5ª ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2008.

VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Avaliação da aprendizagem: práticas de mudança - por uma práxis transformadora. 9ª ed. São Paulo: Libertad, 2008.

 

SOBRE O ARTIGO
SOBRE A AUTORA:
Eurídice Cabral Valentim
Email: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
Site:
SOBRE O TEXTO:
Texto inserido na AMBD sob nº 001 em 19.08.2010.
Elaborado pela autora em 07.2008

Informações bibliográficas:
Conforme a NBR 6023:2002 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), este texto científico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma: VALENTIM, Eurídice Cabral.  A AVALIAÇÃO FORMATIVA NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA, NO ENSINO MÉDIO, NA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL . AMBD, Distrito Federal, ano 01, n. 001, 16 AGO 2010.

Disponível Em: http://www.bacharelmilitar.com.br/artigos-publicados/263-a-avaliacao-formativa-no-processo-de-ensino-aprendizagem-de-lingua-estrangeira-moderna-no-ensino-medio-na-secretaria-de-educacao-do-distrito-federal-elaborado-em-07-2008
Acessado em: Sexta 31 Outubro 2014


 
Publicidade
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Nós temos 28 visitantes online